ESSÊNCIA DIACRÔNICA

A língua não é estática, está sempre se transformando a medida que o tempo passa. Ela, aos poucos, vai tomando nova forma, constantemente de delineando.
Essa mudança não se dá só na estrutura da palavra, mas também na sua significação. Algumas vezes o sentido muda radicalmente, a ponto de não haver mais nenhum resquício do sentindo anterior. observe a palavra “adubo”, que antes siguinificava “tempero” e hoje ela quer dizer que é aquilo que se coloca na terra para fazer com que a planta viceje, cresça saudável,se reproduza com facilidade. Nesse caso a mudança foi radical. Antes queria dizer aquilo que dá o sabor, era diferente, então. Também, quando se dizia que o jantar estava adubado, queria-se dizer que já estava pronto, bem temperado. No português atual não tem mais esse significado. Isso quer dizer que o dicionário Aurélio, no seu primeiro significado dessa palavra, já está ultrapassado, fora de uso, portanto. Vê-se que o diacronismo é de suma importância no conhecimento e enriquecimento de uma língua, pelo menos para ajudar a entendê-lo. Ele mostra o caminho porque passou a palavra, a língua, e ao mesmo tempo ajuda a entender o significado de antes e também o atual. É de uma importância fundamental para os estudiosos. Ele mostra que o idioma está em constante metaformose, uma metarmofose enriquecida por outras línguas e também por outros mecanismos. Por isso, é errado quem pensa que a língua de um povo, nação, ou mesmo de um seguimento, é parada.
Na área da culinária têm-se registro desse diacronismo tão presente no português. A palavra agora de frol, com o tempo foi mudada para água de flor, agora com “l” em vez de “r”. Veja então como tem mudado. O termo mudou na estrutura, não no significado. Da mesma forma a palavra queygo ganhou ao longo do tempo a forma atual, queijo,teve, com o tempo, suprimido o “y” que fazia parte do antigo termo. Imagine o caminho que trilhou para que se chegasse ao modo de escrita vigente. Também antes, quando se queria pedir comida, por exemplo, ovo com clara e gema, pedia-se ouo cõ crara e gema; como mudou, não? Embora o significado tenha permanecido, a escrita mudou. Note-se que a palavra que se escrevia “crara”, não clara, como atualmente. Quer dizer, nem sempre as palavras eram escritas como na forma atual, pelo fato de, no latim ou no original ter sido assim, mas deve-se atentar para essas mudanças que sempre houve e haverá na língua. É assim que a língua vai se enriquecendo, adquirindo novas formas, absorvendo novos termos, sugando tudo à sua volta. Ela tanto adquire como perde termos, isso é a dinâmica da língua é o que é  interessante nela. Essa perda ou ganho pode ser no começo, no meio ou no final, respectivamente aférese, síncope ou apócope. Quando ganha, no início é chamado de prótese, epêntese no meio, e paragoge no final. Percebe-se, mais uma vez, com isso, o dinamismo e vivacidade do idioma, como se chega a isso, como vai se delineando , tomando formas, novos caminhos, ao longo dos séculos. Veja também a variação gráfica da palavra manteiga, as formas que possuía. Antes já se escreveu mãteiga, manteygua, mamteigua. Do mesmo modo era com a palavra receita, escrita antes como receyjta, rrcejta, portanto, um pouco diferente da forma de hoje. Esse é um dos exemplos da variação terminológica gráfica, uma das formas de mudanças mais abundantes da língua portuguesa. Uma língua que foi derivada do latim, que por sua vez absorveu muito das línguas faladas pelos bárbaros, é natural que tenha toda essa variação. Não só por essa forma, mas por palavras ao idioma incorporadas através das invenções que tem acontecido por séculos, como o termo middleware = hardware; corner = quiosque; check-up = checape.
Cada vez mais os séculos passam, as cidades crescem, e se constroem mais e mais, termos novos vão se incorporando, e as mudanças vão se acentuando. O idioma é algo vivo, muito dinâmico.