quinta-feira, 12 de agosto de 2010

SEJAM BEM VINDOS CAROS ALUNOS!

O plenário estava cheio na aula inaugural da segunda entrada da UFRPE. muita gente. O salão estava bem colorido. Cheguei por volta de 19.15 h e fui logo sentando.Encontrei uma colega, sentei perto dela e conversamos um pouco. Mesmo cansado estava muito curioso para participar dessa aula inaugural, pois nunca havia participado de uma. O burburinho de vozes contagiava quem lá chegasse.Havia um quê de efervescência no ar, uma curiosidade e mesmo uma alegria  pelo que viria. Éramos os vencedores, os que conseguimos nosso lugar ao sol. Dentre 45  milhões de pessoas que fizeram o Enem ano passado, conseguimos alcançar o objetivo: entrar numa universidade pública e de qualidade.
O mestre de cerimonia avisou por umas duas vezes que breve o magneficente reitor viria dar as boas vindas a nós. Esperamos. Minutos passam.Quase meia hora depois ele entra e é aplaudido pela maioria de nós.
Na tribuna havia também ainda um representante do Diretório Acadêmico e do DCE, que foi vaiado quando foi-lhe dado oportunidade para falar. "Traidor, traidor", gritavam perto de mim. Não fiquei sabendo a razão pela qual o chamavam assim. O que ficou claro foi que estavam descontentes com ele. De certa forma não ficou bem, pois isso foi um tanto antidemocrático. Que vaiassem, mas nem tanto. O D.A. de Pedagogia esteve presente e fez a festa também. Foi mais educado. Mais comportados. Mostrou mais respeito. O protesto ficou por todo o tempo que houve a aula inaugural.Os mais antigos continuaram vaiando também o presidente do DCE de Garanhuns, que veio nos prestigiar e também falou. Um belo discurso, melhor que o do DCE daqui, que mostrou nervoso, mas apesar disso manteve a pose de bom moço- não quer dizer que ele não o seja. A fome já estava me massacrando quando minha amiga me ofereceu um pedaço de bolo e tive paciência para ver a apresentação do grupo de afoché da rural.Cantaram vários hinos em louvor às entidades do Candoblé do qual fazem parte. Alguns dançaram, outros ficaram à parte. O que me pareceu o líder do grupo fez uma espécie de desabafo lá, fazendo, indiretamente, uma crítica à administração do reitor, que estava perto dele e parece que não gostou nadinha disso. Concordei com algumas coisas que ele falou sobre "colorir mais a universidade pública". Claro. Ele quase que não deixava a tribuna;gostou de estar ali. Pareceu-me uma pessoa que assume o que faz e o que é.
Na entrada do plenário uns estudantes de esquerda- ou o que restou dela- vendiam uns livros sobre Che, Fidel, Lêni e outros, transvestidos de vermelho, um vermelho vivo, pregando suas doutrinas e respirando revolução, mesmo uma revolução silenciosa, como barris de pólvora prontos para serem explodidos na primeira oportunidade que tiverem.
O DCE é um pessoal politizado, com umas ideias próprias sobre política, sobre revolução, que gosta da luta de brigar
são discípulo de Bakunim.Conseguiram algumas coisas para o benefício dos estudantes, como refeição de graça para os alunos pobres, e também a volta do restaurante universitário, como acontece em muitas universidades do Sul e de outras do Nordeste. Eles têm boa intenção, mas algumas vezes exageram. Normal. Têm ajudado muito aos discentes.
Ao término da aula fomos -faço Letras- para as classes. Na de Letras havia uma saborosa refeição nos esperando. Comemos à vontade. Alguns professores falaram e nos receberam com alegria, falando bem da faculdade e do curso. "Aproveitem bem", disseram eles.  "vocês são uns privilegiados. Curtam bastante esse curso". Curtiremos.