CÁLICE AMARGO

Se perguntar a muitos alunos o que acham de certos professores, irão ouvir muitas coisas boas, e também muitas ruins, talvez esta supere a daquela. Não sei o que faz alguns professores acharem que detém poder quase absoluto. Só ele está certo, só ele pode ter opinião própria, e os alunos são meros depósitos de seus conhecimentos.

O respeito deve ser uma via de mão dupla. Aluno respeita e professor também. Não quer dizer que o docente é doutor em alguma coisa e detém o supremo saber. Tem a palavra final. É isso que alguns tem passado. Não gostam de ser contestados, principalmente na sala de aula, pois ele se vê num grande pedestal. Até mesmo aqueles que parecem ser mais legais cometem algum deslize. No restaurante Universitário, no CEGOE, nos corredores da universidade tenho conversado e escutado alguns alunos. Fazem comentários diversos sobre muitos deles. De áreas diversas. Imagine alguém que ensina ser chamado de “Cão chupando manga”, “Alma sebosa”, ou outro adjetivo que tenho ouvido alguns dizendo. As razoes eram muitas: perseguição, nota menor do que mereciam, mal humor, entre outras coisas. Certa professora foi afastada por ter por duas vezes ter reprovado toda uma classe, por puro  capricho. Que poder é esse que alguns acham que têm? É muito estranho mesmo, soberba total. É vergonhoso para um mestre ser odiado por seus alunos, não ser prazerosa as aulas. Há certo prazer de parte deles de parecerem maus e serem mesmo maus. Eles deveriam fazer com que suas aulas fossem vistas como algo que é importante e aprazível, mesmo para quem não goste muito de suas aulas. Cada um tem uma área que goste. Mas um docente que toda uma classe detesta suas aulas, alguma coisa séria está acontecendo com ele. É preciso rever isso. Em Letras há alguns bons professores, mas destaco duas docentes, Valéria e Rose Mary Fraga, pois dão belos exemplos para muitos deles. Procuram tornar as aulas atraentes, algo que dê prazer, embora tenha cada uma de suas matérias as devidas dificuldades. Mas é raro um aluno que não elogie as duas, como tenho ouvido de alguns colegas. O jeito meigo da professora Valéria e o modo objetivo da  professora Rose (ambas ensinam linguística) têm feitos muitos alunos tecerem elogios. Claro que não agradam a todos, algo quase impossível, mas são exemplos de mestres que procuram valorizar os alunos. Não esquecer de destacar a humildade delas, da mesma forma o professor Fabio, de Literatura.A professora Sherry, então, é uma sublimidade. Percebe-se que amam o que fazem, que procuram dar o melhor. Outros parecem mais carrascos, que estão ali para “testar” se os alunos são mesmo insistentes, que querem mesmo seguir a carreira, ou permanecer no curso. Amigos meus têm saído do curso de Letras pelo fato de alguns docentes serem rígidos demais, se sentindo perseguidos por eles. Infelizmente é assim.
Por isso se vê uma classe de trinta e cinco ou quarenta discentes ficarem só com dezoito ou quinze alunos. É triste isso. Vários colegas meus saíram de Letras pelas mesmas razões ditas acima. Ao contrário do que eu pensei e muita gente pensa não há em todos eles um  modo aberto de pensar, de respeitar realmente as opiniões contrárias, de escutar mais os discentes, e não ver eles como  inferiores, que não têm um pensamento maduro, sem muita cultura. Esse é um dos erros que muitos ensinadores cometem. E parece que não vai mudar nunca.

Seria bom se fossem fazer as perguntas aos alunos, eles elogiassem mais que criticassem de modo duro. Seria o modo seguro de ensinar e também de aprender.