quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

A DIDÁTICA E OS TEXTOS


Esse semestre foi um desafio para os estudantes de Letras do Sétimo Período, pois foi estudado as cadeiras de Didática e ESO, e teve alunos que fizeram os dois, fazendo a jornada ficar mais densa.
Quem ensinou foi a professora Tati, e, pelo que sei, todos passaram nela, a não ser quem desistiu de estudar.
Estudamos, em Didática um livro de Magda Soares, que versou sobre disciplinas curriculares, e a história da disciplina de Português, o que foi de muito proveito para todos, pois ficamos sabendo como era o ensino essa matéria, e como a gramática foi mudando ao longo do tempo; as gramáticas usadas, a influência do latim na formação dos estudantes, centenas de anos atrás; depois, veio a de Lições da História da Disciplina do Português. Magda deu um grande passeio pela história, e fortaleceu no conteúdo, para que os docentes futuros não ficassem magros no conhecimento da língua.
Mas o livro que mais nos impressionou foi o escrito por Schneuwly, Dolz, e colaboradores; a tradução é de Rojo e Cordeiro.
Nele, ficamos sabendo que o contexto de produção é muito importante no ensino, para que os alunos tomem consciência dos gêneros, e para que possa dominar eles, olhando para as sequencias didáticas,o que facilita muito o aprendizado, para que o aluno diferencie um texto do outro, vendo seus vários aspectos. É preciso que o aluno compreenda a situação de comunicação, a quem o texto se dirige, saber o que está escrevendo. E esse texto de Schneuwly é um texto denso, desses que o indivíduo precisa ler várias e várias vezes, para poder fazer uma boa prova, e entender, mais do que decorar, pois decorando não se aprende nada, apenas se decora; e foi o que os autores tentaram passar para seus leitores, o texto todo. Alguns de nós tivemos dificuldades com esse texto, tanto em compreender, quanto em fazer a prova com base nele, e isso foi uma pedra no sapato. Não digo que não houve esforço por parte da professora; houve, sim,pois se esforçou para que entendêssemos ele, mas é que, por falta de costumes, de alguns de nós, em lidar com textos densos de universidade, não assimilamos bem o conteúdo, ou, talvez, por haver outros texto também densos, (e por alguns alunos trabalharem durante o dia, outros, casados, com probelmas financeiros,) como o de Soares. Não havia ainda estudado com essa professora, a Tati, como alguns de nós a chamamos, e confesso que gostei (quem não gosta de uma professora bonita, fala macia, e sorriso maneiro?). Gostei bastante dos aspectos tipológicos, principalmente da relação que tem nele, dos tipos de gêneros orais e escritos. A relação é grande. Bom ver as várias capacidades dominantes deles, e como isso ajuda no aprendizado da escrita, e dos textos orais.
Com Rojo, ficamos mais conscientes dos letramentos múltiplos. Foi bom ler esse texto e ficar sabendo a diferença entre letramento e alfabetização, e as demais formas. Alguns letramentos: multissemióticos, críticos e protagonistas, e os múltiplos. Os capítulos que mais gostei foram os que vão do 4-6. Ótimos para nos conscientizarmos sobre letramento e alfabetização com detalhes, embora alguns achem que eles são a mesma coisa. O capítulo 4 versa sobre o Domínio das Relações Entre os Sons da Fala e as Letras da Escrita. Gostei muito do capítulo 4, onde versa sobre o domínio das relações entre os sons da fala e as letras da escrita. Ficamos sabendo que há mais coisas envolvidas no ato de alfabetizar do que apenas repetir sons, e essa foi a preocupação que a professora teve na aula, seguindo as ideias de Rojo. Nesse capítulo, a autora anda um pouco pela história da escrita, desde os sumérios, passando pelos fenícios, viajadores do mundo antigo, que acabou influenciando os gregos, e, por fim, os romanos, e nós, pelo latim, a última flor do lácio.
Estudamos alfabetismo, e o desenvolvimento de competências de leitura, o que foi bastante proveitoso, já que deu mais detalhes sobre alfabetização e letramento, que se manifesta nas coisas mais diversas, como ir a um banco, ler algo escrito no papel de um vendedor de confeitos, ler um bilhete: tudo é letramento. A capacidade de compreensão é muito vasta.
No capítulo 6 do livro de Rojo (2009), há uma explicação sobre letramento, e há mais detalhes nisso, e onde se diferencia isso de alfabetismo. O último envolve práticas sociais, o primeiro, é mais individual, mais haver com cognição, inteligência. Fala também de dois enfoques do letramento: o ideológico e o autônomo. Os letramentos também são múltiplos, e estão em quase tudo que fazemos. É preciso ser multicultural em sua cultura, e poliglota na sua própria língua, o que parece contraditório, mas isso é o que afirma Rojo.
Inovador foi lidarmos com alguns textos que mostraram os vários gêneros textuais, todos novos, nas mídias digitais: os softwares educativos; a língua portuguesa pode ser ensinada neles, e através deles. Escola conectada: os multiletramentos e as TICS, Rojo (org). Primeiro, nos deparamos com as Fanfics, Google Docs... A produção textual colaborativa, que incentiva os leitores a escrever e a interagir através de muitos textos, e a colaboração é bem ampla, podendo os leitores fazer isso completando a estória, nas Fanfics, ou nos escritos mais formais do Google Docs. Uma aluna em nossa classe se mostrou bem versada nisso tudo, principalmente naquela. Disseram até que Fanfics era pior que pornografia, em termo de qualidade, ou falta de. A metalinguagem desse tipo de texto é muito forte. Depois veio o texto “O Jogo de Interface Textual: práticas de letramento em MUD.” Este termo quer dizer Dimensão de multiusuários, em português. É um jogo online. Muitos de nós nunca ouvimos falar disso, mesmo os que usaram a internet desde os primórdios dela, porque a prática era tida como de pouco valor. Pode-se usar, neles, imagens e textos, e parece ser bem dinâmico. O Vidding não fica atrás também, para muitos, tão desconhecido como o MUD. Pouco foi falado na sala de aula, mas sabe-se que tem várias categorias e vários níveis deles, como AMV e fansub, e tantas outras. Outro texto, desse tipo, falou de multiletramento em ambiente educacional, organizado por vários autores, entre eles Neto, Thadei, e Silva-Costa. Ele deu uma ideia do panorama teórico -metodológico, como modalidade, multimodalidade, mídia, multimídia, hipertexto e hipermídia. Os multiletramentos das novas mídias, parece, atraem mais os jovens, por causa do uso do celular, iphones, ipads, ipodes, tabletes, etc; isso foi bem discutido na classe, pois alguns de nós ensinam já, e debatemos se isso é mesmo válido, ou esse uso nas aulas atrapalha. Cada um pensou de uma forma diferente. Hoje em dia não se pode mais admitir que não existam outras possibilidades de ensinar e aprender, já que, pela internet, aprende-se até de longe; não sei se esse aprendizado é válido. Depende do aluno, ou dos mestres, ou dos dois. Os mais antigos, que hoje são doutores, nunca precisaram disso e aprenderam bem, e fizeram um trabalho e pesquisas de grande relevância. Os tempos de hoje são outros tempos, entretanto, e é preciso adaptar o aprendizado e ensino com tudo que se tem hoje. Outros tempos, outros mestres, outros conteúdos, e tudo deve ser aproveitado.
Esse período foi mesmo consubstancial, e alguns aproveitaram mais do que outros, tudo foi válido, e serviu como um paradigma, nos deparamos com uma boa professora, que trata bem os alunos, e foi até paciente, nos mostrou que ensinar é mais do que mostrar que sabe; assim, aprendemos que haverá professores mais conscientes do seu papel multicultural e tão diversos. Ensinar é mais do que pensamos, e pode ser um prazer mais do que já é.