A COR QUE MANDA E A PELE QUE SOFRE


Eu estou cansado de ler os jornais, e achar, nas páginas sociais, algo que vejo que é um absurdo que ainda aconteça num país miscigenado como o Brasil.
As fotos que aparecem nas páginas sociais de todos os jornais, são só de pessoas brancas, classe média alta e rica, cabelos lisos, com suas roupas de grif, fazendo as coisas mais ridículas, mas que, de alguma forma, é "importante" para a sociedade que ele apareça ali.Tenho a impressão que o Brasil nunca teve negros nem índios. Só brancos que são bonitos? E o fato não é só serem bonitos, mas que eles são a classe dominante do país. Duvido que existam brancos de verdade no Brasil; a verdade é que eles são o referencial de beleza e qualidade. Raramente aparece um negro, e quando aparece, é uma figura quase que obrigatória, alguém que galgou um espaço na sociedade, famoso, enquanto que a elite so precisa ter a pele clara e ser classe média.Sim, pois os chamados brancos pobres não aparecem ali.
Além disso acima referido, quando a pessoa anda por alguns bairros de Recife, como Graças e Espinheiro, a impressão que alguém dos bairros pobres tem é que está passando por um lugar desconhecido, uma parte do Recife que ele não sabia que existia.Parecem ter outros costumes, outra língua, como se fossem outro povo e cultura.Quando um indivíduo conversa com eles, não consegue acompanhar a conversa.Eles falam de viagem à Europa, de avião, de jantares com amigos ricos, de cerimônias em empresas, inauguração de prédios públicos...E eles adoram arrotar suas riquezas, para que o pobre o veja como alguém superior, de um nível bem elevado...
Por causa disso tudo, acho que ainda há um apartheid no Brasil. Tanto, que os negros ainda são discriminados nas escolas, nas ruas, e repartições públicas. Fique olhando um negro andando no centro da cidade, e veja se as pessoas não seguram a bolsa ao avistar um negro, mesmo que ele esteja há uns cinquenta metros dessa pessoa, e mesmo que esteja bem vestido, cabelos cortados. Agora olhe quando passa um branco; este é visto sempre como uma pessoa de bem, sem causar medo nem espanto, não é um ladrão, nem sequer parece. Só eles são bonzinhos.
Quero que chegue logo o dia em que se poderá ver negros, mulatos, indígenas, cafusos, caboclos, nas páginas sociais dos jornais e revistas. Que essa afronta que todo negro diariamente sofre se acabe logo, pois não se pode mais aguentar isso, não há brancos nem negros, nem índios no Brasil, mas um povo miscigenado por essas três raças, durante quinhentos anos. É isso que importa.