sábado, 7 de janeiro de 2017

LIBERDADE


Cândido era um bom rapaz. Tinha vinte e dois anos, e estava terminando um curso de história na UFRPE, em Pernambuco. Adorava Marx, e seu livro “O Capital” o deslumbrava tremendamente. Respirava esse livro, e citava ele em qualquer que fosse a coversa. Coemeçava sempre dizendo: "Como falou Marx", e prosseguia.
Durante o curso, foram poucos os dias que ele não vestiu vermelho, e sempre era com uma frase relacionada a Marx, Engels ou che Guevara. Adorava mostrar que era marxista. Nos ônibus, então, ele discutia com quem quer que fosse que criticasse Marx. não importava quem estava ali, queria era defender seu deus. Sim, embora ele não admitisse, era falso pensador era o deus dele, e agia como se sua vida tivesse ele como referencial. mandou fazer tres santinhos, e colocou neles os nomes de São Marx, São Engels, e São Guevara. escreveu uma carta para o papa, afim de que ele pudesse incluir esses "santos" no rol dos que deveriam ser catequisados. 
Até que ele conversou com Bentrue, um amigo seu do curso, sobre isso; já falara algumas vezes, mas ele nunca escutava, ficava excitadíssimo quando percebia que alguém de direita iria criticar seu deus. Mas, depois desses anos, aprendeu a ver a outra parte, e escutou o que seu amigo tinha para dizer-lhe.
Bentrue começou mostrando porque que o marxismo não era viável economicamente, e fez um bom discurso sobre o absurdo dessa ideologia, dessa religião, desse mal. Falou do fracasso dele na Rússia, onde surgiu, do Vietnan, e várias nações, até a China, que teve que se render ao capitalismo se quisesse sobreviver como nação, aquecer sua economia. Agora, vive numa simbiose. Mostrou uns dados e deu alguns livros sobre o capitalismo, e a inviabilidade do sistema denominado socialismo. Percebeu que os países mais avançados do mundo eram capitalistas, e nove deles eram protestantes em sua origem. Aquilo para Cândido foi como um véu tirado dos olhos. Compreendeu tudo. Por anos acreditara numa fantasia, em um louco varrido de ódio que queria levar a humanidade para buraco moral em que vivia. Pensou que espécie de ser humano ficava contra a instituição familiar, e a transformava em algo mau. Se bem que ele numca aceitara essa parte da teoria de Marx, pois fora criado em um bom ambiente familiar, era fruto de um lar feliz, e nisso Marx era um frustrado.
Depois de ser convencido por Bentrue, jogou fora todos os livros socialistas que tinha em casa, cerca de duzentos. Aconselharam ele a vender, mas ele disse que coisa ruim não devia ser dada a ninguém, esses livres eram venenos, pior que droga. Falou com seu professor, e disse que estava saindo do partido socialista no qual os dois eram bem atuantes. O professor ameaçou reprovar seu TCC. Felizmente o professor não teve êxito, não poderia ter feito isso, pois havia outros professores mais conscientes que sabiam separar uma coisa da outra. Desse dia em diante, Cândido resolveu ser ativista contra a teoria marxista, e iria mostrar o mal que viveu, como sua mente vivia confusa, não mais transformaria a verdade em mentira.
Depois de formado, ele decidiu que iria ensinar sem misturar sua ideologia com o ensino escolar. Marx, nunca mais.