O ACHADO





Ele sempre demonstrou deslumbramento pela teoria darwinista, naquele dia, ficou muito mais aceso. Queria ver agora o que iam dizer seus adversários criacionistas. Eles iriam ficar sem palavras quando relatasse o ocorrido daquela manhã de sábado. Foi isso que pensou  G. Fan Nático, professor de Darwinismo Geográfico de uma escola particular em Recife.
Foi à casa de sua mãe, e passou a tarde lá, conversando com seus irmãos e sobrinhos, brincando de bola no quintal, pois era o esporte  que mais gostava, sempre nos finais de semana ele fazia isso, seja com amigos, no campo, ou mesmo família.
Perto de sua casa havia um resquício de Mata Atlântica, em Dois Unidos. Teve vontade entrar nela, e andar pelo menos uns quinhentos metros adentro, e foi o que fez, sozinho, como gostava. Se empolgou e andou cerca de uns quinze minutos, mata fechada, lugar que ele duvidava se alguém chegou ate ali. Havia uma pequena lagoa, onde podia tomar um belo banho, e foi o que fez, água cristalinas, cantos de passaros raros, coloridos, aquele clima bom, o sol, podia-se ver seus raios pelas copas das árvores. Chiados de insetos diversos vinham para ele, e se sentia como o bom selvagem de Rosseau, possuído de bela inocência. Ai sair da água, pisou em algo frio, e tirou logo o pé. Qual não foi sua surpresa! Era um relógio de bolso,parecido com  desses que tinham sido fabricados mais de um século atrás. Ficou muito surpreso com o achado. Aquilo, sem dúvida, era uma prova da evolução. Aquele lugar era muito reservado, não poderia jamais ter surgido aquele relógio ali. Aquilo foi obra da natureza há muito tempo. Claro que demorou muitos séculos para que aquele relógio ficasse pronto, além do mais, o  acaso previu até a tecnologia! A “fabricação” desse relógio deve ter começado há pelo menos cinco mil anos, quando essa tecnologia não existia, claro. Ali, naquele lugar perto de sua casa! Ficou maravilhado. No relógio não havia nome de marca alguma, o metal nele ainda era bruto, pesado, embora os ponteiros de segundos e minutos estivessem funcionando perfeitamente. Seu coração palpitava como se estivesse com taquicardia.Já pensava no rosto espantado dos criacionsitas, da mídia vindo atrás dele, querendo entrevistas, pois ele possuía algo único, ninguém no mundo tinha isso. Fotos suas no Istagram, Facebook, vídeos dele no Youtube,Twitter, nos jornais do mundo todo. Aquele lugar ali seria fechado, e aquilo  ali se tornaria fonte de grandes estudos científicos, tudo porque ele havia achado um relógio construído pela natureza, sem ser usada inteligência, sem planejamento, apenas surgiu. Aí ele pensou: se esse relógio, que não é um ser animado, ou seja, com alma, surgiu, porque não a vida? Começou a procurar pelo elo perdido, ali  devia ter um, iria esfregar na cara dos criacionistas, que eles jogassem a Bíblia fora, não servia para nada, e dava uma rizada enorme, parecendo possesso.
Saiu rápido e assim que chegou em casa, foi logo mostrando à sua família, que, espantados pela explicação dele, não foi pouco o espanto também. Ligou para seu cologa professor da escola onde ensinava, no Colégio Despensamento Cotidiano,no centro da cidade do Recife,  onde ensinava Darvinismo Geográfico, que surgiu há poucos anos, devido aos avanços dawinistas na área de Geografia. Cresceu tanto, que tiveram que inaugurar essa “Ciência” nova.
Foi uma hecatombe de emoção, essa divulgação do achado do relógio das eras. Como ele previu, todas as redes sociais vieram ao seu encontro. Seu vídeo no Youtube bombou, em uma semana foi para mais de 50 milhões de visualização, o mesmo nas outras redes sociais. Afinal, mas uma “prova” do darwinismo. A CNN o chamou para dar entrevistas, e outras TV’s da Inglaterra, Rússia, e quase todos os países da Europa, pois o Vaticano não quis conversa, e o papa Psiu VII não permitiu que o Jornal do Vaticano o entrevistasse. Se  bem que alguns padres ficaram eufóricos com esse achado.
 Por causa desse achado ele pediu, por escrito, ao Ministério da Educação brasileira que fizesse ser excluída de todas as bibliotecas do Brasil a Bíblia dos criacionistas; não havia mais porque ter ela nas bibliotecas, já que foi compravada, de vez, agora, a teoria, corrigindo, o evoluciosnismo, pois já não se pode chamar teoria. Foi comprovada pelo achado do “relógio evolucionista”. Isso é tudo. O ministro da educação emitiu uma comunicação ao presidente, por escrito, e esse iria se reunir com acessores para averiguar isso. Os protestantes não ficaram com medo disso, pois perguntavam de onde veio os metais usados na dita “fabricação” do relógio. Foi respondido pelos dawinistas que apenas surgiu, como surgiram os gases, a luz, o tempo, a ameba, a vida, tudo… Apenas surgiram, o acaso é que cuida disso, não houve planejamento, nenhum Ser  inteligente cuidando disso, apesar do universo ter fortíssimos indícios de ter sido plenejado.
Foi assim que G. Fan Nático, professor de uma nova ciência, assumiu a cadeira de secretário de educação da cidade de Utopilândia, no Sul do país, uma das mais visitadas pelos turistas. O bairro de dois Unidos se tornou o lugar mais visitado do Brasil todo.


por J.M.Lou